COMO EVITAR AS DOENÇAS DE VERÃO

COMO EVITAR AS DOENÇAS DE VERÃO

Elas são perigosas e no mínimo podem estragar as suas férias. Aprenda a combatê-las no começo.
O verão chegou, você conta os dias que faltam para as férias e sonha com uma boa praia ou uma temporada no campo. Depois de meses curtindo um “esverdeado de escritório”, você já se imagina de pele bronzeada, transpirando saúde por todos os poros. E esquece que o verão é tão bonito quanto perigoso e pode trazer problemas de todos os tipos, desde a habitual desidratação até mesmo pequenas queimaduras que à primeira vista parecem irrelevantes, mas podem transformar-se em lesões graves.

Na verdade, por trás da paisagem azul e ensolarada se escondem sérias ameaças, inimigos invisíveis, como a larva chamada Ancylostomo brasiliensis, além da voraz ameba, e até outros, bem evidentes que (talvez por isso) podem parecer inofensivos. Entre estes, o mais perigoso é exatamente aquele que cria todo os encantos do verão: o sol.

Algumas providências serão imprescindíveis se você quiser passar um temporada tranqüila. E um bom começo é tentar conhecer essas pequenas e grandes ameaças que podem acompanhar você à praia, às férias no campo ou aos dias quentes da cidade. O primeiro cuidado a tomar é com as doenças de pele, muito comuns nessa época, como a dermatite actínica e também a dermatite de contato. A primeira atinge especialmente as crianças e é provocada pela permanência exagerada sob os raios solares entre 10 e 15 horas. Pequenas bolhas d’água, semelhantes às causadas por queimaduras, aparecem sobre a pele e transformam-se em feridas purulentas que provocam febre e falta de apetite. Confundida com a catapora, não recebe muitas vezes o tratamento adequado e pode levar até mesmo à morte. Ao se notar o aparecimento dessas pequenas bolhas sobre a pele da criança, deve-se procurar com urgência um pediatra.

A dermatite de contato, de fundo alérgico, provoca lesões na pele, comumente causadas pela ação de bronzeadores de má qualidade. São erupções extensas, avermelhadas e quentes em toda a região onde foi passado o bronzeador. Seu tratamento exige cuidados de um dermatologista.

A água-viva ataca por simples contacto: a dor é tanta que pode causar estado de choque
Quem vai à praia sem levar esteira, toalha ou cadeiras está sujeito ao ataque de uma larva perigosa chamada Ancylostomo brasiliensis, que penetra no organismo através da pele. Encontrada nos intestinos de cães e gatos, ela é deixada na areia da praia através das fezes desses animais. Quando penetra na pele, produz uma pequena elevação parecida com a mordida de um inseto. A reação imediata é a coceira que pode durar meses, pois a larva permanece na pele por muito tempo. Os médicos recomendam antimicóticos e antifungicidas que, em pouco tempo, resolvem o problema.

Águas-vivas, ouriços-do-mar e corais podem também provocar ferimentos. O contato das águas-vivas com a pele produz lesões superficiais, com dores tão fortes que a pessoa atingida é capaz de entrar em estado de choque. A lesão é ocasionada por milhares de agulhas cheias de veneno, localizadas nos tentáculos do animal. Os sintomas vão desde vermelhidão e inflamação até o aparecimento de bolhas, acompanhadas de inchação e hemorragias.

Se atingida por uma água-viva, a pessoa deve procurar remover imediatamente os resíduos dos tentáculos. Aplicar amônia ou bicarbonato de sódio na lesão ou, se esta for grave, pomadas anti-alérgicas e anestésicas.
Os ouriços-do-mar produzem ferimentos ao fazer penetrar na pele os espinhos que rodeiam seu corpo. Quando se tenta removê-los, eles se fragmentam mais ainda.

Alguns lançam veneno também sobre a pele. Os espinhos devem ser tirados um a um com pinças, e os ferimentos lavados com água e sabão, antes de serem cobertos com mertiolate e gaze esterilizada. Os ferimentos causados por corais custam muito a cicatrizar. O tratamento é o mesmo recomendado para os ouriços. Alguns tipos de corais têm células produtoras de veneno, e um arranhão mal tratado pode transformar-se numa ferida infectada, com risco de tétano. Tradicionalmente visto como um benefício sem limites para a saúde, o sol desintoxica o organismo, é ótimo tónico para os nervos e estimula a hipófise, importantíssima para as funções cerebrais. Além disso, seus raios ultravioleta transformam o ergosterol em vitamina D, indispensável para a formação óssea. Mas os limites existem.

Nem toda hora é boa para se tomar sol, porque os raios que realmente interessam à saúde são os ultravioleta, benéficos apenas durante a primeira parte da manhã. Eles têm um comprimento de onda relativamente curto, por isso prevalecem entre 10 horas da manhã e 3 da tarde, quando o sol bate diretamente sobre a atmosfera da Terra. Fora desse horário, quando o sol está relativamente baixo no céu, seus raios têm de atravessar uma camada maior da atmosfera terrestre, que funciona como um filtro, dispersando os comprimentos menores de onda. Embora seja mais difícil bronzear-se fora desse período de cinco horas, a coloração que se consegue é mais saudável e gradativa. Nos outros períodos, você estará exposto a queimaduras que podem transforma-se em doenças graves. Os cuidados devem ser maiores com as crianças que têm a pele delicada e absorvem os raios com maior facilidade.

Por que o sol provoca queimaduras?

O bronzeamento é causado por um pigmento escuro da pele, a melanina, que funciona como um mecanismo de defesa contra a radiação ultravioleta. As queimaduras aparecem quando esse mecanismo de proteção não teve tempode se desenvolver completamente. Por isso, dois cuidados são importantes quando você for à praia: evitar o sol forte e concentrado de raios ultravioleta das 10 da manhã às 3 da tarde, e expor-se gradativamente a seus raios para que o bronzeamento não se transforme em queimaduras.

Usar um bom bronzeador é também importante. Ele não aumenta a rapidez da coloração, mas garante um processo controlado que bloqueia uma proporção demasiada de raios ultravioleta. Não use receitas caseiras, principalmente o óleo de oliva que “fritará” sua pele, provocando manchas. Se de qualquer forma, não conseguir evitar as queimaduras, aplique cremes e preparados especiais, como a loção de calamina. As bolhas podem ser aliviadas com compressas úmidas de quantidades iguais de leite fervido e água gelados. Mas se as queimaduras forem mais intensas, procure um médico.

Dores de cabeça, enjôo, pulso acelerado, pele vermelha e seca, é a insolação
A exposição polongada ao sol, além de queimaduras, pode causar insolação. Uma pessoa tem febre alta e deixa de transpirar. Aparecem dores de cabeça e enjôo e, posteriormente, alterações visuais e convulsões. A pele fica quente e muito seca, o pulso se acelera. Para se reduzir a temperatura do corpo, o doente deve ser despido e colocado numa banheira com água fria, enquanto se massa-geia suas mãos e pés para manter a circulação. Se o paciente estiver muito enfraquecido, deve-se dar soro fisiológico muito lentamente.

A intermação, fenómeno semelhante, reflete o colapso dos mecanismos reguladores da temperatura interna do corpo. A pessoa sente-se fraca, enjoada, com dores de cabeça e abdominais, respiração rápida, seguida de cãibras musculares — ocasionadas pela perda de sal — com a pele úmida e a pressão arterial baixa. Até que chegue o médico, deve-se fazer o paciente tomar água com sal ou soro fisiológico para que a pressão arterial volte ao normal. Além disso, deve-se mantê-lo em lugar fresco e, se possível, com os pés elevados.

Os alimentos ideais para o calor podem ser portadores de amebas
Lavando mal as verduras e frutas frescas, você está arriscado a pegar uma amebíase. Existem seis tipos de amebas, mas a mais prejudicial ao homem é a ameba histolítica, extremamente voraz. Um único desses parasitas é suficiente para que depois de certo tempo haja, num espaço do tamanho de uma cabeça de alfinete, no intestino grosso, uma colónia de 10 000 desses seres microscópicos. Não tendo membros, nem boca, a ameba estica-se formando um tentáculo que envolve porções microscópicas das mucosas intestinais, digerindo-as com suas próprias enzimas. Depois de quatro a seis horas, ela se divide em duas, cada parte constituindo uma nova e faminta ameba que repete o processo de divisão até que o intestino apresente uma microscópica úlcera que irá se alastrando, chegando a perfurá-lo.

Os sintomas são de disenteria — às vezes confundidos com apendicite — cólicas abdominais, diarréias sanguinolentas, vômitos, febre e esgotamento físico. Diagnosticado a tempo, em quinze dias, sem necessidade de internamento, o problema estará resolvido. Se não, depois de “saturado” o intestino, as amebas viajarão através da corrente sanguínea para o fígado, e daí para o pulmão, coração e cérebro, provocando algumas vezes a morte. A cura, nessa fase, vai depender da extração de alguns órgãos infectados.

Mas nem tudo é tão catastrófico. Você pode evitar qualquer um desses problemas, passando um verão agradável e com saúde. Basta não esquecer algumas recomendações úteis: ingerir muito líquido; não se expor demasiadamente ao sol; não permanecer em ambientes úmidos e mal ventilados; comer refeições leves, sem muito condimento; deitar-se na areia da praia sobre toalhas ou esteiras; bronzear-se com bons produtos; manter as moscas longe de casa; proteger os alimentos e limpá-los muito bem (principalmente as verduras e frutas cruas); verificar se as vacinas estão em dia; muita higiene; casa arejada e roupa leve.

Cuidados com a higiene são a melhor defesa contra os micróbios de verão
Responsável pela morte de mais de milhares de crianças só na região da Grande São Paulo todos os anos, a desidratação é a doença mais séria trazida pelos meses de calor. Representa a perda excessiva de água e sais minerais do organismo, a quebra do equilíbrio entre ingestão-eliminação de líquidos do corpo.

No adulto, 50% do peso corporal é representado por água; nas crianças, a proporção aumenta em razão inversa da idade, chegando no recém-nascido a 80 ou 90%. Se a perda de água for anormal — não puder ser reposta — a doença imediatamente se manifestará. Alguns fatores facilitam ainda mais o seu aparecimento: a baixa idade e a desnutrição. Além de terem mais líquidos no organismo do que os adultos, as crianças sofrem de baixa capacidade funcional dos rins e perdem água diariamente na proporção de 1/5 do líquido do organismo. Se desnutridas, a propensão a sofrerem a doença também aumenta.

Com o calor, aliado a outros fatores, a tendência à desidratação é maior, já que a transpiração tende a ser excessiva. Infecções, principalmente intestinais, podem provocar o aparecimento da doença, pois facilitam, através do vómito e da diarréia, uma perda maior de água do organismo. Alguns sintomas são típicos da desidratação: sede, perda de peso, diminuição da urina, pele e mucosas ressequidas, diarréia, vómitos, febre, alterações respiratórias, olheiras, irritabilidade e fontanela (moleira) funda nos bebés. Por isso, tome cuidados maiores no verão: não exponha seu filho demasiadamente ao sol; dê-lhe água fervida ou filtrada; não o agasalhe demasiadamente; verifique se os alimentos são frescos e em quantidade adequada; mantenha as mãos limpas ao cuidar do bebê; evite que moscas pousem nos alimentos (no verão, elas se reproduzem assombrosamente); não tenha contato com pessoas doentes; não deixe lixos descobertos e fezes de animais expostas no quintal; mantenha a casa limpa e arejada.

Se apesar de todas essas precauções, se o seu filho apresentar sintomas de desidratação, suspenda todo o alimento e dê-lhe apenas bastante água fervida ou chás fracos com pouco açúcar. E procure imediatamente o médico.

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